A invenção e o rigor na poesia brasileira, durante
as últimas décadas, se associam diretamente à obra
de João Cabral de Melo Neto, bem como à maior revolução
na poesia mundial do período, única proposta estética
jamais surgida no Brasil e único momento em que esse país
esteve na vanguarda da Arte no mundo: a Poesia Concreta.
Minha busca, na poesia, centra-se exatamente na invenção
e no rigor, e, portanto, parte do ponto em que as obras de João
Cabral, Décio Pignatari, Haroldo e Augusto de Campos deixaram a
arte. Pretendo jogar, porém, adiante. Esta é a missão
de todo artista. Nunca retroceder, nunca ceder: buscar novos caminhos.
Talvez encontrar uma forma inovadora de retrabalhar a rica herança
que a tradição do rigor poético, sempre contra a corrente
da facilidade falastrona, nos deixou.
Arrisco lançar minha Contracorrente
nesse mar de “correção” retrógrada que tem dominado
a nossa poesia nos últimos tempos. Além da verborragia pseudopoética
de sempre, lêem-se às pencas poemas “certinhos”, “bem feitinhos”.
Mas onde está a poesia pungente, que fere, que coloca o dedo nas
feridas? Feridas da linguagem e – por que não? – da vida.
Aí vai essa Contracorrente,
na esperança de que possa representar uma luz - ou uma pedrada,
o que é bem melhor - na estagnação poeticamente correta
de hoje. Ou, pelo menos, incomodar os acomodados de todos os lados.
Frederico Barbosa
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