Orelha de
CONTRACORRENTE
Por Frederico Barbosa
 

        A invenção e o rigor na  poesia brasileira, durante as últimas décadas, se associam diretamente à obra de João Cabral de Melo Neto, bem como à maior revolução na poesia mundial do período, única proposta estética jamais surgida no Brasil e único momento em que esse país esteve na vanguarda da Arte no mundo: a Poesia Concreta.
        Minha busca, na poesia, centra-se exatamente na invenção e no rigor,  e, portanto, parte do ponto em que as obras de João Cabral, Décio Pignatari, Haroldo e Augusto de Campos deixaram a arte. Pretendo jogar, porém, adiante. Esta é a missão de todo artista. Nunca retroceder, nunca ceder: buscar novos caminhos. Talvez encontrar uma forma inovadora de retrabalhar a rica herança que a tradição do rigor poético, sempre contra a corrente da facilidade falastrona, nos deixou.
        Arrisco lançar minha Contracorrente nesse mar de “correção” retrógrada que tem dominado a nossa poesia nos últimos tempos. Além da verborragia pseudopoética de sempre, lêem-se às pencas poemas “certinhos”, “bem feitinhos”. Mas onde está a poesia pungente, que fere, que coloca o dedo nas feridas? Feridas da linguagem e – por que não? –  da vida.
        Aí vai essa Contracorrente, na esperança de que possa representar uma luz - ou uma pedrada, o que é bem melhor - na estagnação poeticamente correta de hoje. Ou, pelo menos, incomodar os acomodados de todos os lados.

                                                                                        Frederico Barbosa

 
 
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