Heloísa Buarque de Hollanda 
(entrevista a Ítalo Moriconi) 
      
Tem uma presença muito mais forte de descendentes do concretismo do que na outra. 
Tem, tem. Porque eu acho interessantérrima a relação desta nova poesia com o concretismo. 

Fala um pouco sobre isso. 
A questão do concretismo é interessante porque tem a ver com o fim das polêmicas enquanto estilo de luta pelo poder cultural. A polêmica é uma forma de criar tensão no campo, de se estabelecer um espaço no território intelectual. Não é bem um debate de idéias. É uma briga pelo poder. Essa briga pelo poder se faz de outras formas hoje em dia, ela se faz negociando, ela não se faz mandando o malho. Antigamente você tinha que ser contra o concreto para poder publicar em x, y ou z. Hoje você não precisa mais disso. Você negocia. Tem um poeta, por exemplo, que eu lamento não ter posto. Eu não li direito, me mandou depois, que é um poeta super concreto, o Frederico Barbosa. Eu achei ótima aquela poesia, mas é difícil ter acesso a tudo. Eu não tinha o livro dele comigo, ele me mandou depois por e mail. Eu achei a poesia dele interessante por essa nova postura diante do concretismo. 

Tem mais alguém que você lamenta não ter incluído? 
Tem duas pessoas que eu poria na antologia que eu não pus. Ele e a Angela Campos, outra pessoa que me pegou depois, a atenção foi tardia. Mas são dois poetas que eu acho que fariam parte desse conjunto. A antologia originalmente era para ser maior. Mas ela foi sendo cortada no meio do caminho, porque tudo que era mais literário e menos sintomático, eu tirei. Deixei só o sintoma mesmo. 

Chegamos a outro ponto crucial. 
Sintoma mesmo. No caso do Frederico, por exemplo, eu acho que ele tem um tipo de negociação com o concretismo muito independente, muito interessante. Ele usa aquilo tudo, mas ele interpela de um jeito diferente, ele mistura áreas proibidas ali dentro. Então, eu achei muito interessante, lamento não ter posto.
   

(Suplemento Literário de Minas Gerais)
 
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