Tem uma
presença muito mais forte de descendentes do concretismo do que
na outra.
Tem, tem.
Porque eu acho interessantérrima a relação desta nova
poesia com o concretismo.
Fala um
pouco sobre isso.
A questão
do concretismo é interessante porque tem a ver com o fim das polêmicas
enquanto estilo de luta pelo poder cultural. A polêmica é
uma forma de criar tensão no campo, de se estabelecer um espaço
no território intelectual. Não é bem um debate de
idéias. É uma briga pelo poder. Essa briga pelo poder se
faz de outras formas hoje em dia, ela se faz negociando, ela não
se faz mandando o malho. Antigamente você tinha que ser contra o
concreto para poder publicar em x, y ou z. Hoje você não precisa
mais disso. Você negocia. Tem um poeta, por exemplo, que eu lamento
não ter posto. Eu não li direito, me mandou depois, que é
um poeta super concreto, o Frederico Barbosa. Eu achei ótima aquela
poesia, mas é difícil ter acesso a tudo. Eu não tinha
o livro dele comigo, ele me mandou depois por e mail. Eu achei a poesia
dele interessante por essa nova postura diante do concretismo.
Tem mais
alguém que você lamenta não ter incluído?
Tem duas
pessoas que eu poria na antologia que eu não pus. Ele e a Angela
Campos, outra pessoa que me pegou depois, a atenção foi tardia.
Mas são dois poetas que eu acho que fariam parte desse conjunto.
A antologia originalmente era para ser maior. Mas ela foi sendo cortada
no meio do caminho, porque tudo que era mais literário e menos sintomático,
eu tirei. Deixei só o sintoma mesmo.
Chegamos
a outro ponto crucial.
Sintoma
mesmo. No caso do Frederico, por exemplo, eu acho que ele tem um tipo de
negociação com o concretismo muito independente, muito interessante.
Ele usa aquilo tudo, mas ele interpela de um jeito diferente, ele mistura
áreas proibidas ali dentro. Então, eu achei muito interessante,
lamento não ter posto.
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